(Extraído do livro Os Engenheiros de S.Paulo em 1932 - Arthur Morgan - 1934 - São Paulo)

 

Ruth

Parte III

 

Tudo isto teve lugar nos últimos dias de Setembro, quando a notícia dos resultados da Herculanada chegavam a New York. De Buenos Aires, onde A-27 (ver Nota 1) entendeu-se por telephone com A-20. O “Ruth”, que devia estar nas , devia vir ter a Buenos Aires, onde A-27 encarregou A-22 de immediatamente negociar a venda dos materiaes e do próprio navio, visando rehaver para S. Paulo o dinheiro dispendido.

 

Foi ter com o ministro do Paraguay e também com o da  aos quaes offereceu não só os materiaes e o “Ruth” como também os 10 aviões Fleet adquiridos por intermédio de Leigh Wade.

 

Este, naturalmente já sabedor do nosso desastre e também já embolsado do pagamento dos aviões, adeantou-se para offerecer mais barato, como nos informou o ministro do Paraguay, aviões da mesma marca a esse paiz. Mostrou-nos, então, telegrammas que nos deixaram “grogys”. A fábrica americana de  dizia-se na contingência de entregar os 10 aviões à Dictadura premida pelas perguntas que o governo americano à intâncias da nossa embaixada, Paulo Haslocher e - imaginem quem mais? - o cônsul, o paulista de Limeira, . Sebastião Sampaio, o ex-clérigo, como o chamou Aureliano Leite.

 

Bancou o camaleão legitimo, sendo segundo fui informado quem assignou todos os recibos dos materiaes entregues por A-25 de accordo com as instrucções completas que recebera de S. Paulo para assim agir.

 

Dahi por deante foi a derrocada. O “Ruth” foi apprehendido. A-20, que viera a Buenos Aires entender-se com A-27 e A-21, regressou com este último para New York afim de ver si era possível rehaver alguma cousa para S. Paulo.

 

Separámo-nos às 2 da madrugada do dia 3 de Dezembro de 32 e ainda A-20 teve tempo para escrever-me uma carta de despedida, na qual elle contava que ia fazer mais esse sacrifício. “Mas muita gente boa morreu pela causa e sempre julgo pouco o que faço para um ideal tão grande e um sacrifício tão sublime feito pelos irmãos de São Paulo.”

 

Tudo  perdido. Tudo confiscado. A-20 e A-21 perseguidos e obrigados a viverem mudando-se quasi cada dia e intimados a dar explicações ao “Inteligence Departament da Secretary of Interior”. A-20 chegou a ter de comparecer ao tribunal, onde Paulo Haslocher e outros beleguins da Dictadura, tudo fizeram para deportar e extracditar a ambos esses companheiros ou processal-os por “filibustering”.

 

Todos os amigos ou pessoas ligadas aos dois agentes nossos, A-20 e A-21, nos Estados unidos, passaram a viver de “calças na mão”.

 

Onde estão os homens que vieram aos Estados Unidos para fazer outra revolução no Brasil? A pergunta repetia-se insistentemente. As esposas de alguns maridos tiveram xiliques. Estes brasileiros ainda vão dar com vocês na cadeia.

 

Diante dos acontecimentos só havia dois caminhos para nossos companheiros: a) das as caras, b) dar o fora. Ficou resolvido o primeiro e para que não comparecessem os dois “concomitantemente ao mesmo tempo”, foi resolvido que A-20 comparecesse. Foi a conta. Uns minutos depois elle tinha cavado com o seu geito uma bruta camaradagem com o mister do “Inteligence Department” e feito a elle os retratinhos do Gêgê, Waldomiro Lima, Paulo Haslocher, “Piolho de Cobra”, Albino Mendes e outros notáveis paredros.

 

Ficou tudo as mil maravilhas e, no fundo, lamentaram até que não  deixar um par de milhões de dollares, adquirindo, “supplies”, cuja remessa envidariam os mais decididos esforços para impedir. Assentaram como bons “sportmen” que se fossem fazer alguma revoluçãozinha mandariam um avisozinho “ for some fun”...

 

 

Nota 1 - O autor substitui alguns nomes por códigos para preservar a identidade de alguns envolvidos

 

 

(continua na Parte IV)