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(Extraído do livro Os Engenheiros de S.Paulo em 1932 - Arthur Morgan - 1934 - São Paulo) Ruth Parte IV (Última Parte) Nesse houve um atricto sério entre o Sampaio e o Haslocher sobre o caso - deporta, não deporta - acontecendo que, apesar do segundo arrotar o seu prestígio aos quatro ventos, ficou este cheirando a cebola e alho. A-20 (Nota 1) teve ainda que comparecer para numa acção judicial entre um “bootleger” hespanhol e seu sócio allemão que questionaram sobre a divisão dum saldozinho de serviços prestados para o negócio do “Ruth”. Aproveitaram para comparecer em juízo os paredros do consulado brasileiro para reclamar restituições (si alguma houvesse) para o Governo de São Paulo... (Oh!) Dado início ao primeiro round, peora a situação do e o hespanhol fica realente “grogy”. Issou passou-se no dia 25 de Janeiro de 1933, com todas as solemnidades do estylo. Gente a besa, com roupas complicadíssimas... martello em cima da mesa, promotor, advogados, emfim todo o aparato que dava a impressão a A-20 que elle ia terminar fazendo força por conta do governo americano em alguma das Sing-Sings que por lá abundam. Chamado, ás 14 horas, collocam-lhe a mão direita sobre a Bíblia colossal - e a esquerda em posição de quem diz: “Espera lá, seu Juiz!”. Começa então uma série de perguntas de todos os quilates, desde a das saias da avó do declarante até o detalhe dos “supplies” que A-20 entendeu embarcar no navio. Odepoimento daria um grosso volume e foi todo tachygraphado, demorando cerca de 3 horas. A-20 esteve simplesmente batatal como elle o é. Agiu com a máxima cautella no sentido de não confessar que se tratava de armamento, pois isso resultaria na sua responsabilidade criminal. O promotor fez uma força doida nesse ponto. A princípio A-20 pulava num círculo vicioso, dizendo que a qualidade do material era, justamente a que correspondia ás instrucções de seus amigos na América do Sul, e quando elle voltou á carga sobre quaes eram essas instrucções. A-20 respondeu que eram exactamente as que tinhas sido satisfeitas com a qualidade do material adquirido. O homem estrillou e resolveu aborrecer de tal sorte que A-20 pediu licença ao juiz, perguntando si lhe era lícito recusar resposta visto a mesma não ter significação especial no caso em apreço. O juiz deu uma martelladinha e disse umas cousas que A-20 não entendeu, mas que dever ter sido como que a introducção de um no craneo do promotor, pois este perdeu logo a tenencia e terminou o interrogatório. Em Buenos Aires, quando soubemos da derrocada, já com jegócio quase fechado com o Paraguay, passamos por um pedaço desagradável para explicar o que acontecera. Este desfecho veio prejudicar também outros assumptos nossos como seja, facilitar a apprenhensão de parte da gazolina e óleo de aviação que em Concepción e Assunción. Interessante, para não dizer immoral, lermos nos jornaes as notícias da apprehensão do “Ruth” e da chegada do mesmo ao Rio de Janeiro, trazendo a bordo apenasmente dois milhões de espoletas imprestáveis para cartuchos. ... E o resto? Porque não restituem a S.Paulo o que estava a bordo do navio? Porque o governo de S.Paulo em tantos encontros de contas feitos não pede a restituição ao seu thesouro do custo dos materiaes comprados e do vapor “Ruth”? Este, os armamentos e os 10 aviões Fleet andaram por uns $450.000. Querem saber o que vinha no “Ruth”? Pois direi abaixo. Eis a lista do que A-22 foi encarregado de vender, inclusive os 10 Fleets que ainda estavam na fábrica em Búfalo: Ouvi dizer que isso ficou como presa de guerra... Qual, não é atôa que dizem que nós brasilieros macaqueamos tudo o que fazem no extrangeiro e com especialidade o que faz o francez. Ás vezes nem sabemos por que. Reparem em certas leis copiadas e absolutamente inadequadas ao nosso meio. Assim foi com o fim da revolução constitucionalista. Quizeram macaquear o tratado de Versalhes, nem mais nem menos. Lembram-se das primeiras notas que a imprensa publicou? - Tantas locomotivas! - Tantos carros de passageiros! - Tantos vagões de carga... E... Não dessem os Paulistas um geitinho, lá se ia a Mogyana inteira. Cruzes! Podia ser peor! Janeiro de 1935. Nota 1 - O autor substitui alguns nomes por códigos para preservar a identidade de alguns envolvidos |
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100 |
Metralhadoras pesadas marca Colt-Marlin, calibre 30,06 resfriadas a ar, embaladas em caixas com 2 unidades cada |
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10 |
Metralhadoras Bowning Syncronizadas para Air Craft, calibre 30,06 |
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500 |
Cintas para metralhadoras |
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3.400.000 |
Cartuchos calibre 30,06 |
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2.000.000 |
Cartuchos vasios calibre 37,6 |
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5.000.000 |
espoletas |
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25 |
Fuzis silenciosos com telescópio |
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500 |
Fuzis Springlfield 30,06 |
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1.000 |
Granadas de gaz vomitorio |
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10 |
Aviões Fleet, modelo no. 11, de Bombardeio e Observação |
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23 |
Paraquedas Triangle, sendo 3 de instrucção e 20 de serviço |
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1 |
Lancha scalio, de 200HP, 45 milhas por hora |
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1 |
Cruzador guarda-costas com 2 motores Thornycroft, a óleo, completamente equipado, 18 milhas com radio equipamento |